quinta-feira, 19 de setembro de 2013

'Condenar Bida é fazer justiça por todos os outros crimes', diz Comitê


Comitê Dorothy comemora condenação de fazendeiro a 30 anos de prisão.
Defesa de Bida diz que houve erro na sentença e vai recorrer.

Representantes de movimentos sociais e trabalhadores rurais que conheciam a irmã Dorothy comemoraram a condenação do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, que foi considerado mandante do assassinato da missionária em 2005 após 15 horas de julgamento no Fórum Criminal de Belém.

Esta é a terceira condenação de Vitalmiro. Ele foi julgado pela primeira vez em 2007 e condenado a 29 anos de prisão, mas teve direito a um novo júri porque a pena ultrapassou 20 anos. Em maio de 2008, Bida foi absolvido, mas o Ministério Público recorreu da sentença. Em março de 2010, Vitalmiro foi novamente condenado, mas a defesa disse que havia sido prejudicada e o julgamento foi anulado pelo STF.
Dorothy Stang (Foto: Reprodução Globo News)Dorothy Stang foi assassinada em 2005 no Pará
(Foto: Reprodução Globo News)
“A irmã Dorothy era na floresta aquilo que o urbano é hoje na cidade: protesto todo dia. E ela inquietava essas pessoas. E não tinha outra situação que eles não vislumbravam que não fosse dar um jeito da forma como eles disseram: vamos matar essa senhora”, afirmou o promotor de justiça Edson Cardoso.

David Stang, irmão de Dorothy, acompanhou a sessão e disse que se sente em paz. “Nós temos justiça e verdade. Eu fico feliz”, disse Stang.
Luiza Virgínia, do Comitê Dorothy, acredita que condenação   (Foto: Thais Rezende/ G1)Luiza Virgínia, do Comitê Dorothy, acredita que condenação de Vitalmiro representa justiça para todos os crimes do campo em que mandantes não foram julgados (Foto: Thais Rezende/ G1)
Para o Comitê Dorothy, a condenação significa mais que justiça. "Nós esperávamos a condenação, não só ter justiça por Dorothy, mas também para o povo de Anapu. Esses mandantes continuam representando ameaça e absolvidos eles se sentem fortalecidos naquelas terras", afirma Luiza Virgínia Moraes, do Comitê Dorothy em Belém.
"Para nós, condenar o Bida é fazer justiça por todos os outros crimes em que os mandantes não foram condenados. Pode representar um freio na ação desses crimes agrários", afirma Virgínia Moraes.
O advogado Eduardo Imbiriba disse que a defesa de Vitalmiro é dificultada por prejulgamentos (Foto: Reprodução / TJ-PA)O advogado Eduardo Imbiriba disse que a defesa
de Vitalmiro é dificultada por prejulgamentos
(Foto: Reprodução / TJ-PA)
Defesa diz que vai recorrer da sentença
A defesa do fazendeiro acredita na inocencia de Vitalmiro, mesmo após três condenações. Para o advogado Martins Júnior, não existem elementos que provem o envolvimento de Bida na morte de irmã Dorothy. “Vamos entrar com apelação e vamos corrigir esse erro, entendemos que houve um erro da sentença. As provas dos autos são contundentes no sentido da inocência dele e a gente vai mostrar isso de acordo com o código do processo penal”, disse.
Entenda o caso
A missionária americana da ordem de Notre Dame Dorothy Mae Stang foi morta aos 73 anos em Anapu, sudoeste do Pará, em 12 de fevereiro de 2005. Ela trabalhava junto a comunidades de Anapu em projetos de desenvolvimento sustentável, o chamado PDS Esperança.
Segundo o Ministério Público, a morte da missionária foi encomendada pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Galvão, o Taradão, que aguarda julgamento de recurso. Amair Feijoli da Cunha, o Tato, foi condenado a 18 anos de prisão como intermediário do crime.
Rayfran das Neves Sales, condenado a 27 anos de prisão por ser assassino confesso da missionária norte-americana Dorothy Stang, deixou o regime fechado para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar em julho deste ano. Clodoaldo Carlos Batista, acusado de ser comparsa de Rayfran, foi condenado a 17 anos de prisão deixou a Casa do Albergado, localizada em Belém, em fevereiro de 2011 e está foragido.

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